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Série : Anistia da Memória

Anistia da Memória 
 

A forma como vemos o passado, compreendemos o presente e o que projetamos para o futuro está intrinsecamente ligado à memória. Quem tem o poder nas mãos escolhe a sua forma de “rememorar” ou de “Esquecer”, assim,  a história contada e projetada em sua versão dominante , é  a história dos vencedores.  O Brasil que conhecemos ( a Identidade que nos determina como povo), é forjado através  do signo da anistia, definitivamente o Brasil é feito de tudo que esqueceu. A violência escravista e o genocídio indígena foram “perdoados” sob à luz do esquecimento e incorporados na estrutura do estado Brasileiro, formas de violências que construíram nossa sociedade. 

 

Nesse projeto artístico proponho uma reflexão sobre o arquivamento da memória para as gerações futuras e o seus apagamentos. As lembranças e os esquecimentos, as memórias individuais e  as memórias coletivas e sociais  fazem parte dessa disputa que potencialmente ditam o caminho das futuras gerações: a memória é um lugar de luta.  Estamos construindo uma narrativa memorial de forma justa e democrática  ou  mais uma vez estamos reproduzindo uma memória  que se sustenta na desigualdade e no apagamento de minorias? 

 

Na história da humanidade todos os regimes opressores se fortaleceram por meio de  “projetos de esquecimento”: censuraram artistas, queimaram livro, calaram pessoas, silenciaram ideias, por que um povo sem cultura/ sem memória é mais fácil de ser dominado, é na memória que plantamos a semente do futuro. Mas, como construir um futuro para o Brasil se ainda sequer conhecemos nosso passado? Como prosperar como povo se o que nos define é o atraso do esquecimento?   Toda  memória é um campo de batalha e um canteiro de obras, sob sua força se destrói o mundo que inventamos ou se constrói o mundo que queremos.

A obra "Des-constuição" parte da série "Anistia da Memória" é formada por fragmentos de imagens que se contradizem no discurso, mas que se complementam imageticamente evidenciando suas contradições. Uma delas mostra uma manifestação da extrema direita presenciada pelo próprio artista no ano de 2024, marcada por ataques às instituições, discurso teocrático e antidemocrático. Na outra imagem fragmentada, o artista se apropria de uma registro da década de 80 que celebra a luta pelo uma fim da ditadura militar. Em destaque, trechos do A1-5 se misturam a um documento que comprova a epidemia de miniginte abafada pela ditadura, epidemia essa que vitimou duas gerações da familia do artista.

Texto do Artista : "Nos últimos anos o Brasil viveu um constante "flerte" com  a Ditadura Militar. Não era raro ver Patriotas pedindo "intervenção federal" "estado de sítio " "a volta da Ditadura e os seus tempos de ouro".  A tentativa constante de reescrever a História, apagando verdades inconvenientes, faz parte da nossa formação desde os tempos de Cabral. Um país  baseado em políticas  de esquecimento está condenado a viver nas sombras da própria violência que produz.

Esse trabalho "Anistia da Memória" é parte de uma pesquisa sobre as manifestações recentes em defesa do "plano golpista", misturando imagens do golpe de 64 e registros do golpismo atual. Me infiltrei nas manifestações registrando conversas e imagens, buscando captar o espírito desse "brasil" reacionário e ultraconservador. O discurso que mistura política e religião é estruturante nesse projeto teocrático da extrema direita, estamos diante do abismo do autoritarismo mais uma vez.

Eles querem "passar uma borracha na história " porque assim podem impor suas próprias "verdades". "

 © 2024 por Hal Wildson

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